17.9.09

sem título - 081






Sobre o hipocondríaco, que houve blues e bate em sua caixinha de lenços descartáveis, ao som do Blues.

É uma quarta-feira,Praça Virgílio Távora, no meio de Fortaleza, "The Thrill Is Gone", B. B. King, sendo muito bem interpretado.

Cerveja e batata frita,
completam um final de exaustivo dia.

A cena quase irreal, da praça onde, durante o dia peões semi-ou-quase-analfabetos de obras absorvem suas quentinhas ou galinhas cabidelas.
Numa noite de quarta, tomada pelo Blues ao ar livre, agora degustado por apreciadores tão diversos. Além de moradores do bairro, naõ conhecem além de *Forró Sacode*.

Esta é a bela Fortaleza, a bela
Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

A guitarra sola.

O apreciador hipocondríaco
observa tamborilando sua caixa de lenços descartáveis.
A hipocondria, fragilidade na saúde ou semelhantes, é observada com freqüência em pessoas, onde a mãe sofreu durante a gestação, por vezes, desejando não estar naquele estada.

Saberia ele disso?
Não.. muito provavelmente não.

ar livre
blues

Nem nos sonhos mais bem embalados sonharia tão distante estar, tanto menos, alcançar tal etapa deste ciclo vital, em uma noite de ar livre agora pelo Blues embalada.

O som da guitarra que embala sonhos ainda mais impossíveis.
Sonho de ter a própria poesia.

don't stop the blues, please
don't stop the dream


Sonho da felicidade
que não se constrói na matéria
que é propriamente apenas o material básico
para o princípio

o sonho da felicidade
que não deixe de ser mero sonho
nem se distraia com o belo

mesmo o hipocondríaco,
pode ser feliz em sua lista
de alergia
de
alegrias
que mudam de lugar as letras
delatora
delirante
deletérias frases em uma tarde passada
que quase minguam sonhos


sonhos
sonhos

prefira os mais simples

sonhos..
com recheio de goiaba, ainda são os melhores.


... e sobre o hipocondríaco,
dele nada sei...

7.9.09

mais que palavras - 022






rega
a regra

escorre
pelo
rego

por
fino
fio

quase
um
vio








mais que palavras - 021













sem título - 080

Muito cedo ainda.
Aurora ainda não passou,
recolhendo seu manto noturno.

Cedo
Cedo para se definir.
Penumbras ainda.
Començando a luz azular.

Pios de pássaros.
Logo estarão em revoada,
Mais uma jornada do
dia a da.

Trocando o turno com
os morcegos que
agora se recolhem.

Os primeiros raios
começam a pintar de
vermelho as nuvens,
anunciando chuva
durante o dia.

O homem moderno,
que não vê mais as estrelas.

Vê apenas a lua,
alguns planetas,
e um céu monotonamente
alaranjado.

Tão artificial, quanto seus
sonhos consumistas.

Acorda não mais
com um despertador
mecânico,
aquele que teria dado corda
antes de Morfeu o chamar.

Seria muito irreal imaginá-lo,
acordando com o galo.
Agora com música
personalizada.


Perdeu-se o
romantismo.
Restou
erotismo;
o consum
ismo.

Outros tantos ismos,
que tornam sua vida
pateticamente
tão artificial
tão laranja
tão sem estrelas no céu.

5.9.09

003

De ti não quero a paixão...
que vem pronta e morre tão depressa qto brotou.

De ti quero mais...
muito mais,
quero amor regado.

Cuidado.

Um amor musical?
Delicado?
Talvez, mas com algo da sua pimenta.
Te quero como minha mulher.
Te quero completa.

Que complete esta metade que me falta.

4.9.09

sem título - 079

pensa em menta

em mento
mentol

pensamentol
pesamentol

testamentol
sentimentolo

paracetamol
para aceitar mole

ou duro

no duro

abs orto
flutu ante

delir ante
di ante

per dido

para dúvidas google
para resposta..
google
ou um gole

para uma vida com
poesia
siga a via

para uma vida insinuante
tenha o arbítrio

para o final de noite
que tenha o riso

para a manhã a ramela
o cabelo revirado

para a vida
ser vivida

não viva o óbvio
viva a poesia

sinta a brisa do mar invadindo
então no final dos seus dias
sinta que valeu a pena

a livre poesia
o doce arbítrio