23.10.09

sem título - 084

é fera ainda indomada

é onda do mar
em seus ciclos de indas e vindas

que sejam benvindas
suas vindas
que sejam mais breves
suas idas

é fera que espreita de longe,
raposa não cativa

ativa ou passiva?

laciva

o laço atrás de tudo
que envolve
que presenteia

8.10.09

sem título - 083


quando livre da material realidade,
abre-se então asas para vôos
mais altos, estáveis
ou instáveis por opção

leves, os pés, que passam
sobre o mar que se estende na areia

saborosas as notas musicais
que invadem os sentidos

quando livre da realidade humana

livre de um mundo apegado
ao terreno mundinho da ganância
da impressão
e que em nada se impressionam,
diante da beleza de um sorriso do casal de velhos

mundo midiático que acorrenta tais asas
numa impotência de alcançar a realidade imposta

perde, este mundo, o prazer dos passos
sobre a areia molhada

a solidão de voar alto sozinho
sem poder estender a mão
e te puxar para o mesmo vôo planado,
acima deste mundinho infeliz
podendo ver de cima o sol que la no nosso horizonte,
ainda, não se pôs



7.10.09

sem título - 82

tradição
traição
contra adição
contradição



o esmo,
perdido pelos dias a dias deste mundo.
I mundo,
A ondas e ondas
da aproximação,
distância,
aproximação. [outro assunto]

Como uma bela fera sendo domada.
Que se chega aos poucos, receosa, ainda selvagem.
Ainda sem confiança, ainda a desconfiança.
Quando a bela fera se afasta, fica a sensação de perda.

Mas ela volta, como quem não quer nada.
Deixa marcas, em territórios pouco visitados, de que ela está vindo.

Seja a música,
e amores musicais, são amores delicados, já dizia a cantora.
O elo impalpável.
Ou quase palpável.
Seja apenas o devaneio comum.

Meras palavras...
Mera poesia diária, de quanto tempo mesmo?