4.11.09

sem título - 085



explodiu no peito, o grito incontido!

Fico em dois pés tomou o mundo, criou deuses,
venerou, usurpou,
corrompeu, subornou.

Já se fez humano.

Agora que se fez "dono" do mundo, nada mais resta além
do pavor, daquilo que se tornou.

... aunque la mona se vista de seda, mona queda

23.10.09

sem título - 084

é fera ainda indomada

é onda do mar
em seus ciclos de indas e vindas

que sejam benvindas
suas vindas
que sejam mais breves
suas idas

é fera que espreita de longe,
raposa não cativa

ativa ou passiva?

laciva

o laço atrás de tudo
que envolve
que presenteia

8.10.09

sem título - 083


quando livre da material realidade,
abre-se então asas para vôos
mais altos, estáveis
ou instáveis por opção

leves, os pés, que passam
sobre o mar que se estende na areia

saborosas as notas musicais
que invadem os sentidos

quando livre da realidade humana

livre de um mundo apegado
ao terreno mundinho da ganância
da impressão
e que em nada se impressionam,
diante da beleza de um sorriso do casal de velhos

mundo midiático que acorrenta tais asas
numa impotência de alcançar a realidade imposta

perde, este mundo, o prazer dos passos
sobre a areia molhada

a solidão de voar alto sozinho
sem poder estender a mão
e te puxar para o mesmo vôo planado,
acima deste mundinho infeliz
podendo ver de cima o sol que la no nosso horizonte,
ainda, não se pôs



7.10.09

sem título - 82

tradição
traição
contra adição
contradição



o esmo,
perdido pelos dias a dias deste mundo.
I mundo,
A ondas e ondas
da aproximação,
distância,
aproximação. [outro assunto]

Como uma bela fera sendo domada.
Que se chega aos poucos, receosa, ainda selvagem.
Ainda sem confiança, ainda a desconfiança.
Quando a bela fera se afasta, fica a sensação de perda.

Mas ela volta, como quem não quer nada.
Deixa marcas, em territórios pouco visitados, de que ela está vindo.

Seja a música,
e amores musicais, são amores delicados, já dizia a cantora.
O elo impalpável.
Ou quase palpável.
Seja apenas o devaneio comum.

Meras palavras...
Mera poesia diária, de quanto tempo mesmo?

17.9.09

sem título - 081






Sobre o hipocondríaco, que houve blues e bate em sua caixinha de lenços descartáveis, ao som do Blues.

É uma quarta-feira,Praça Virgílio Távora, no meio de Fortaleza, "The Thrill Is Gone", B. B. King, sendo muito bem interpretado.

Cerveja e batata frita,
completam um final de exaustivo dia.

A cena quase irreal, da praça onde, durante o dia peões semi-ou-quase-analfabetos de obras absorvem suas quentinhas ou galinhas cabidelas.
Numa noite de quarta, tomada pelo Blues ao ar livre, agora degustado por apreciadores tão diversos. Além de moradores do bairro, naõ conhecem além de *Forró Sacode*.

Esta é a bela Fortaleza, a bela
Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

A guitarra sola.

O apreciador hipocondríaco
observa tamborilando sua caixa de lenços descartáveis.
A hipocondria, fragilidade na saúde ou semelhantes, é observada com freqüência em pessoas, onde a mãe sofreu durante a gestação, por vezes, desejando não estar naquele estada.

Saberia ele disso?
Não.. muito provavelmente não.

ar livre
blues

Nem nos sonhos mais bem embalados sonharia tão distante estar, tanto menos, alcançar tal etapa deste ciclo vital, em uma noite de ar livre agora pelo Blues embalada.

O som da guitarra que embala sonhos ainda mais impossíveis.
Sonho de ter a própria poesia.

don't stop the blues, please
don't stop the dream


Sonho da felicidade
que não se constrói na matéria
que é propriamente apenas o material básico
para o princípio

o sonho da felicidade
que não deixe de ser mero sonho
nem se distraia com o belo

mesmo o hipocondríaco,
pode ser feliz em sua lista
de alergia
de
alegrias
que mudam de lugar as letras
delatora
delirante
deletérias frases em uma tarde passada
que quase minguam sonhos


sonhos
sonhos

prefira os mais simples

sonhos..
com recheio de goiaba, ainda são os melhores.


... e sobre o hipocondríaco,
dele nada sei...

7.9.09

mais que palavras - 022






rega
a regra

escorre
pelo
rego

por
fino
fio

quase
um
vio








mais que palavras - 021













sem título - 080

Muito cedo ainda.
Aurora ainda não passou,
recolhendo seu manto noturno.

Cedo
Cedo para se definir.
Penumbras ainda.
Començando a luz azular.

Pios de pássaros.
Logo estarão em revoada,
Mais uma jornada do
dia a da.

Trocando o turno com
os morcegos que
agora se recolhem.

Os primeiros raios
começam a pintar de
vermelho as nuvens,
anunciando chuva
durante o dia.

O homem moderno,
que não vê mais as estrelas.

Vê apenas a lua,
alguns planetas,
e um céu monotonamente
alaranjado.

Tão artificial, quanto seus
sonhos consumistas.

Acorda não mais
com um despertador
mecânico,
aquele que teria dado corda
antes de Morfeu o chamar.

Seria muito irreal imaginá-lo,
acordando com o galo.
Agora com música
personalizada.


Perdeu-se o
romantismo.
Restou
erotismo;
o consum
ismo.

Outros tantos ismos,
que tornam sua vida
pateticamente
tão artificial
tão laranja
tão sem estrelas no céu.

5.9.09

via trobili - 003

De ti não quero a paixão...
que vem pronta e morre tão depressa qto brotou.

De ti quero mais...
muito mais,
quero amor regado.

Cuidado.

Um amor musical?
Delicado?
Talvez, mas com algo da sua pimenta.
Te quero como minha mulher.
Te quero completa.

Que complete esta metade que me falta.

4.9.09

sem título - 079

pensa em menta

em mento
mentol

pensamentol
pesamentol

testamentol
sentimentolo

paracetamol
para aceitar mole

ou duro

no duro

abs orto
flutu ante

delir ante
di ante

per dido

para dúvidas google
para resposta..
google
ou um gole

para uma vida com
poesia
siga a via

para uma vida insinuante
tenha o arbítrio

para o final de noite
que tenha o riso

para a manhã a ramela
o cabelo revirado

para a vida
ser vivida

não viva o óbvio
viva a poesia

sinta a brisa do mar invadindo
então no final dos seus dias
sinta que valeu a pena

a livre poesia
o doce arbítrio

7.8.09

mais do que palavras - 021

6.8.09

mais do que palavras - 020


26.7.09

via trobili - 002







Neste seu olhar negro e profundo,
que penetraria com certeza todo meu ser.
Me embreagaria.
Me perderia.

Diluiria meus dias fitando seu olhos.
Saboreando seus lábios.

Dando-te o prazer merecido.

Fazendo de ti a mais doce, mais ácida. Companhia.

Sem o tempo.
Ou quiçá com todo o tempo para perdermos.
Nos perdermos.
Achando que o mundo nunca acabará.
Nada mais que nosso mundo mundo,
vasto mundo.

És a mulher que me comove, de tão longe.
Com um negro olhar de feixes luminosos.
Estáticos, o olhar que todos observam.

Que tão poucos talvez saibam da profundidade..
da sua profundidade.

Ah!
Linda Lívia...

Se um dia te atiras...

Sonho...
que bom é sonhar.
Se é você, meu doce sonho.

Linda Linda..
Linda Lívia.

Que sentimento este abstrato, e pleno.

Se existe a plenitude em uma sentimento assim..

Linda Linda...
Linda Lívia.

2.7.09

uteurubus - 007

Sobre o mundo fantasioso que os zumbis vivem.
Sobre as falsas verdades deglutidas, em uma sociedade pasma além da verdadeira verdade.
Bem certo denominar de zumbis ignorantes, porém isso seria redundância.

Zumbi, não o dos Palmares, que a este rendemos todas as reverências.

Mas zumbis.
A engrenagem consumista de um sistema a ponto de implodir.

Como não desejar aquele veículo do ano? Apenas uma dividazinha maior e pode-se encarar o novo amontoado de ferro vendido pela mídia.

Existe boa justificativa pela troca?
Sempre existe, agora vem com um "design mais arrojado" mais "moderno".

O outro amontoado de lata que até então transportava o zumbi tão confortavelmente.. onde parou?

Ilusão, é preciso vender.Preciso alcançar metas, crescer.

Mais e mais rápido.

Capitalismo.
A imagem.
A expressão dos desejos terrenos e do apego.

Incrível paradoxo, pois que religiosos fervorosos,aqueles que em muitos sermões,cultosou pregações...

Ouviram tantas e tantas vezes, em discursos inflamados, que se existe um inferno e um diabo. Este se faz valer de imagens, de ludibriações, pela vaidade.
Capitalismo é a imagem da vaidade.

Paradoxo irônico também, é o crescimento do mercado religioso.
Uma rede evangélica na Third Avenue em Manhtan.
No local onde antes o falecido Michael Jackson, a viva Madona e tantos outros popstars deram seus autógrafos.
Na Virgin antiga. Símbolo do capitalismo consumista.

O bem de consumo mudou.

A fé hoje vende mais.

Não seria grande ironia?

Conversando no intervalo de trabalho, se percebe a distancia tão grande que existe entre "imagem" e "fato".
Desolação, poderia ser um sentimento. Impotência? Anseio por mostrar o mínimo da pouca verdade que se sabe.

Por isso:

zumbis



Contemplam através de sinais luminosos seus "semideuses".
Um novo Olimpo criado pela mídia, tão ilusória.

De tais atitudes nasce talvez uma vontade de estudar antropologia, para conseguir entender essa raça de simius zumbis pseudo pensantis.
Os ciclos dos dias, em uma engrenagem capitalista, esmeradamente azeitada pelo circo midiático.
Símios, com uma banana capitalista pendurada na ponta de uma vara.
Fazendo girar a esteira sem nunca alcançar a banana, girando incansável até sua morte.
Sem deixar a banana para ninguém, pelo simples fato de que,

a banana não existe.
É apenas uma miragem.

Miragem
Capitalismo
Mídia

Eles se materializam e tem um nome:


Dubai.

Erguida em cima de um desertosem uma única fonte de água potável,sem uma única fonte de alimento.

No entanto, Dubai (a extrema expressão do Império do Carbono).
Ergue-se.

Dubai possui campos de golfe onde antes era deserto.
Campos que consomem 15 milhões de litros de água por dia.
De onde vem à água?
Do mar.

Dubai bebe o mar.

Precisa dessalinizar toda a água consumida.
Se sua economia falhar, Dubai não tem água para uma semana.
Dubai, não tem fonte de comida, mas tem comida de todos os cantos do mundo.

Dubai, não tem água potável, mas tem esqui com neve (fabricada) de verdade.
Uma montanha dentro de um freezer.

Tudo em Dubai é artificial.
Empregos são artificiais.

Sobrevive pela injeção de dinheiro vindo do império do carbono.
90% do petróleo consumido pelos USA, saem dos poços de petróleo do Xeque Mohammed Bin Rashid.

A cada dois arranha céus existe uma foto dele sorrindo.
Dubai seria uma Disneylândia para adultos com Mohammed Bin Rashid no papel de Mickey.

O mundo olha para Dubai,
a nova Babilônia.


Mas quem realmente trabalha em Dubai, se arrepende de ter conhecido a Disneylândia dos Horrores.

Empregos oferecidos pela Internet, são iscas para conseguir trabalho escravo. Ao chegar os passaportes são confiscados.

Empresários falidos estão indo embora deixando seus carros abandonados em aeroportos, quando conseguem.

Existe um campo de refugiados da cidade onde se encontram mais de 30 mil pessoas.
A descrição de repórteres é de que o local exala a fezes e suor.

Lendo a revista Piauí n° 33, o repórter brasileiro narra estar em um dos hotéis mais luxuosos da cidade. Onde ele é o único no restaurante, onde antes Robert de Niro freqüentou. Sensação de viver o papel de Jack Nicholson no filme o Iluminado.

Dubai foi uma miragem,
o espelho de outras duas miragens:

Capitalismo e o Império do Carbono.

O império do carbono é muito voraz. Para alimentar o consumismo pelo ferro, para veículos, as máquinas cavam cada vez mais fundo.
Mais e mais fundo.
Tudo está acelerado.
Aves estão prontas para consumo no período de um ciclo menstrual.

"Crescei e multiplicaivos".

Como parar a multiplicação?
Vivemos muito mais do que morremos.

Invadimos.

Criamos sistemas econômicos em cima de erros.Herdamos os Bancos de Crédito dos orientais, das conquistas de Ciro, muito antes de Xerxes.

O capitalismo moderno com seus planos de aposentadoria.
Com velhos sorridentes sem nada para fazer.
Se pararmos de reproduzir, pararmos de crescer, quem irá pagar a conta?

O número de ativos em duas décadas será inferior ao número de aposentados e pensionistas.
Impossível não notar que o sistema vai quebrar, da mesma forma que Dubai quebrou.

Única solução ainda, para este pobre sim que a terra tenta expulsar, seria um novo capitalismo, novas formas de captação de dinheiro.

Mídias mais honestas.
Abolição do crédito falso.
Desacelerar o consumo.
Desligar a televisão, tornará você menos suscetível ao desejo que a mídia tenta impor.
Fontes de notícias sérias estão cada dia mais acessível.

Quantas pessoas irão ler até o final?
Quantas pessoas irão repensar as atitudes?

Quantas dirão bela postagem e todo o blablabla,
para depois ver o que vai passar na televisão?
Simius Zumbis pseudo pensantis, o que somos.
Pobres zumbis na linha de extinção.

Infelizmente este é o mundo que minha Francesca e sua geração irão herdar.

Cabe aqui a palavra da bíblia, não sei ao certo todas elas mas, diz que a fé sem obras...
O resto devem saber mais do que eu.
Não irão adiantar orações, pedindo benção.Precisa-se pedir por Iluminação para toda a raça humana.
Inspirado pela vida, pela observação e instigado a escrever pelo vídeo "the home project" bem como pela revista Piauí.

30.6.09

mais que palavras - 019




fogo este que a tudo
todos encanta, instiga

29.6.09

14 linhas - 003

Chuva boa de uma quinta-feira
sem vento pesada.
Aquela que cala;
aquela que a cama chama;
e o chá
e os cachos também pesados,
aqueles que o desejo instiga.
As curvas onde
perderia meus dias e tantas noites.
Tantos dengos daria,
todos aquele que bem mereceria.
Se te busco... não me ache brusco.
Apenas de-me sua mão
venha e goze uma vida ao meu lado.

20.6.09

14 linhas - 002

Atônito, o olhar, fitante
maltrata. Ainda observa. Estica
daquele canto de olho. Olhos negros
de profundo e penetrante sentimento. Ausente,
daqui, deste mundo, deste tempo.
Saurios, já extintos, dentro do peito. Agora fossilizados,
dados como palavras soltas
de tempos em tempos. De novo o tempo. Ahh aquele tempo,
que o corpo esguio o nu sobre este se lançava;
cortados
roidos...
meu tempo que escorre, grão a grão. Ainda naquele
peito bate ponta da certeza. De ser ainda
toda... minha.

17.6.09

14 linhas - 001

Odes Homéricas, de
cima de um monte
tomado de orquídeas,
ciclos aleatórios
nada suficiente,
manhãs a pouco nascidas, de
tempos atrás;
tomados... torpes...
dotados de estreito saber,
o mesmo monte de onde surgem
nossos desejos
sobre aquele tempo
agora perdidos neste mesmo tempo
mordendo os dentes da engrenagem... do tempo

13.6.09

mais que palavras - 018





11.6.09

sem título - 078

sem título e sem texto