22.8.10

Ane Amarilo



Companheira madrugada,
quando todos dormem,
quando parece minha a cidade
pela janela o silêncio escuro e alaranjado.

Luz negra com seu toque fantasmagórico.

Quantas noite a insônia veio me chamar?
Que mundo é este onde aterrizei?
Que maldito mundo é este?

Maldito amor enlatado
sem sabor
malditas vulvas sequiosas
desejosas de uma vara que as façam gemer.

Malditas aquelas que gozam comigo.
Rosto rápidos perdidos.
Boca após boca.
Malditas todas.

Pois nenhuma consegue
nem quer
nem deseja comover
e sim gozar.

Que merda é comover?
Que merda é tocar?
Que merda de sentimento se deseja?

O beijo que é apenas o primeiro passo,
nada mais que isso...
A cama de lençóis virados.
Calor salgado,
brisa artificial sobre os corpos.

Cada uma com seu gosto diferente.
Cheiros, toques.

Uma após uma
apenas mais uma.

Que merda de lembrança é esta?

Por que ainda hoje esta presente, como se nada tivesse passado?
Por que ainda este amor, Ane Amarilo?

Quem é esta mulher que lacrou um coração quando foi embora?

Que Outubro foi aquele?

O mês mais intenso dos 37 anos.

Dane-se o juízo.
pois o juízo final decide tudo.

Atitude insensata escancarar
falar sobre assunto enterrado.

Mas sempre esteve em cova rasa.
Muito rasa.
Insensato, dizer que nenhuma mulher se compara a Ane Amarilo,
mesmo depois de quase dois anos.

Está ainda latente.
Ainda está no chuveiro dizendo:
- fecha a água, não desperdiça...

Sim, penso todos os dias,
lembro, fecho os olhos
ainda suspiro e levito quando vejo a imagem flutuando
na minha mente.

Não importam quantas e quem foram as mulheres que passaram em minha cama, nem as que passarem, não desejo o gozo que não seja contigo Ane Amarilo.

Repito hoje e repetirei por longa data.
Não existe outra em minha vida Ane Amarilo, a mulher em minha vida, única é você, independente do tempo e da ausência.