10.8.10

sem título - 095

minutos aqueles

dentro do dia amanhecido

minutos
de lábios desconhecidos

intersecção fugaz

por minutos salva do inerte
sentimento de muito tempo esquecido

agora desperto
e pra que?

10.5.10

cripto

ACNRA.RCøøIOTEøøøABFNMENASNBEADPøAMEÃAMZALS,OøO,!øøEEøøÉøøøFSTUAVøSFVAOAøIOAEIOLUMLNCMøCCTøEODÊOAAÊA

sem título - 094

O restaurante já foi considerado um bordel em outra época,

denominado "IDEAL".
Nome e definição poupam maiores explicações.

Tempo passou, virou restaurante.
O estigma ficou, os freqüentadores, muitos também.
Em gênero, espécie e procura.

É a cozinha mais próxima do prédio, possui boa "maminha", aqui sem duplo sentido.
Também a pizza de atum com champignon.

Música ao vivo, "o melhor da MPB" segundo ele.
entenda-se predileção do cantor/público por Fábio Jr. e afins.

A cozinha mais próxima.
Adorável prazer da observação.

Ela parece uma chaminé, não deve ter menos de 45.
Faz pose para fumar, em sua "consciência" tenha a ilusão que a "pose" demonstre ter classe. Classe em um lugar tão desclassificado.

Traga fundo,
ri soltando fumaça aos socos,
em direção ao teto

Chaminé..

Aquele cabelo não deve mais ser tão negro como a tinta mostra.
Qual falsidade esconde por baixo da tinta, da pose?
Qual seria seu fetiche, ao jogar charme para o guardador de carros
do lado de fora do restaurante?

Onde mora?
Onde trabalha?

Qual a sensação ao pintar os olhos, cada vez mais velhos?
De olhar seus lábios cada vez mais sem vida.
Dia após dia esvaindo a feminilidade.

Ainda sozinha.
Quantas contas para pagar?
Qual e quando terá sido seu grande amor?

Por que nesta idade ainda sozinha?
A pose de mulher resolvida.
Não seria esta a falsidade?
A tinta para cobrir o fracasso como família que não formou?

Onde ficou o desejo pela maternidade?
Será ela mãe?
Avó?

Envelhecerei observando?
Dia após dia, observando mais e mais fios brancos em minha barba,
Olhos que apesar de carregar ainda a infância
já se demonstram tão cansados.

Mãos que não possuem a textura de antigamente.
A seriedade do adulto no espelho,
maturidade, responsabilidade, planos e crescimento.
Contraste com a paixão adolescente de sempre.

Casos e histórias para se contar,
tantas histórias.

Olhos cansados de ver em cada mulher do passado,
em cada uma, um erro diferente.

Cena no ônibus, onde um casal de velhos
bem velhos, no banco da frente
olhares perdidos
passando por uma cidade que se transformou
dia após dia,
frente a seus olhos.

Aliança grossa nos desdos
a mão dela segurando o braço dele,
descansado sobre a perna da esposa.
Com olhar perdido,
num reflexo condicionado de toda a vida
ela afaga o braço do companheiro.
Este responde com uma leve pressão da mão na perna da esposa.
Sem desviar o olhar perdido,
estão ligados,
sempre estiveram.
Não percebem o observador.

Observar o quotidiano
Alegrias e náuseas.

Futilidades,
inutilidades.

Maldito Vinícius que Banalizou o verbo amar
quando ensinou o
"eterno enquanto dure".

Maldito eterno enquanto dure.

O até que, apenas, a morte nos separe.

Não deixarei de acreditar,
anos que passaram
mulheres
frases e fases...

Posso tornar-me um observador idoso
mas jamais me renderei ao
eterno enquanto dure.

Sou ambicioso,
busco a mulher que vai acordar
todas as manhas na minha cama.
Mesmo que jamais use o mesmo travesseiro dela.
Ou a toalha.

Busco a presença, mesmo a respiração em silêncio,
os passos dentro de casa.
O horário de sempre.
As frases e atitudes habituais.

...e na velhice a mão sobre meu braço,
em um afago automático,
como sempre fez, a vida toda.

A pizza acabou,
de volta a realidade.

Aquela que parecia uma chaminé se foi
sem perceber,
perdido em meus pensamentos.


Uma gorgeta,
e ir para casa.

Quanto tempo faz
que seu olhar me perturbou?
Já nem sei.
Desde sempre, talvez.

Estava dormindo, quando você me acordou de madrugada.

Quando me acordou.

3.5.10

sem título - 093

uma vez mais
na mesa do mesmo resturante
com o mesmo cantor
cantando as mesmas canções

as mesmas vadiazinhas procurando sempre novos velhos

dinheiro

hoje o cantor está mais empolgado
a casa está cheia

cheia de gordas
cheia de velhos

e as vadiazinhas

com um careca estranho
que escreve enquanto observa

boa chuva cai

inunda
alaga
entope
transborda
nesta cidade imunda


e chuá
água para cima
lixo para cima
boiando


sobre as incoerências
sobre o arbítrio livre

sobre a morena que está na minha frente acompanhada
sobre estar acompanhado
sobre por que me olha se está acompanhada?

o que está por trás realmente de estar acompanhado

ter apenas uma
sem haver outra no futuro

higlander


e que seja assim para sempre

hora em que pensamentos
descem espinhosos
nó na garganta
que engasga
desce mas não digere

acreditar
em que mesmo?

em belas palavras
em emoções desesperadas?
sequiosas de emoções envelopadas
prontas em frases feitas
excalibur
tua língua em meu mamilo
água e sal

perfil esguio
doce voz dissonante
inebria com cada palavra

13.4.10

il genes - 001


no erguer de sobrancelha
ou no vasto riso,
de mostrar todos os dentes

como consegue conter
esta pura intesidade
de que se faz constituída?

envolta em racional armadura
sinto seus poros
distantes poros
um a um

dilatar

para em coletivo exalar
o saboroso suor
de uma felina

silêncio cheio
de desejo
de vontade

da libido
da vida a dois sem fronteiras

menina
em breve
vai ser uma mulher

como consegue conter em si
a sanidade?
em sã idade

in sã idade

in san idade

que vossa santidade..

insantidade

que acabe na verdade

este eco
de
ade ade ade ade

que peço por caridade

pois me rende a saudade

e mais

ade ade ade ade

pedaço são
de vida
revivida
por este momento

divi dida

moça...
em breve
você será uma mulher

dona de excalibur

por que
não está certo esta
vida
di vida dida

em breve
será a mulher

2.4.10

mais que palavras - 026

29.3.10

sem título - 091

nem bruma
nem leve
nem maresia

nem ao menos palavras soltas

já não fluem mais as palavras como antes fluíam
derramadas sem compromisso outro


que não fosse de encantar


agora...



escorrem

pelo

ralo

do

tempo

resumo para quem não pega no ar
maldita palavra hiberna

22.2.10

mais que palavras - 025

.

19.2.10

sem título - 090

São os bipes alternados das caixas registradoras
que levam a mente fluir
entre bipe e outro

Cada peça em seu lugar
a engrenagem azeitada

Monótono ofício de registrar números
abre a gaveta
confere dinheiro
confere troco
fecha gaveta

e mais
bipe aqui

bipe ali

bipe lá

bipe aqui

bipe lá

digite a senha por favor

obrigado

[volte sempre não se usa mais,
pois, obviamente, votaremos sempre]


então a mente desprende
percebe neste patético ofício

não é o desenho
não é o ganho
nem o gasto

tudo é pasto

é capim de papel
que alimenta

o ir
o vir

com sumir


mas o que alimenta o sonho
aquele de goiabada

é o saber que existe
no mundo
outro ser

que viva na mesma leveza
de notas e cifras
tão diferentes
tão bem desenhadas no ar

o ser
que plana, leve,
mesmo que em pensamento.

a leveza da liberdade
sustentada pelo pesado fardo
da solitude

o sonho [aquele de goiabada]
que dia a dia
se abra o peito
semeie
plante

povoe o pensamento
até tomá-lo,
este ser,
por completo

de ti,
que flutua em
seus pensamentos
dissonantes,
quero apenas
todo teu ser

apenas para todo
nosso sempre

para queimar em desejos
saciar nos passeios
embebedar nas divagações [sem fim]
comover em silêncios
explodir no riso

para desejar cada pedaço molhado,
do duro mamilo à boca sedenta,
do ponto ao laço,
toda esta mulher
por baixo da toalha
que vai cair

que castigue minha derme
com vermelhas unhas cravadas

que sacie meu ouvido
com gemidos
sussuros
teus gemidos
teus sussurros


aqueles que somente
se forem os teus
e de mais ninguém


bipe aqui

bipe lá

bipe aqui

bipe

bipe

bipe lá
bipe ali

pergunta aqui:
- mais alguma coisa senhor?

largo sorriso:
- não, moça, apenas isso.

[o pensamento]:
- não moça nada,
que você possa resolver... =]

12.2.10

mais que palavras - 024

31.1.10

sem título - 089

aquele ir

somado ao aquele vir

pessoas recém acordadas,
ou não dormidas

prontas para outos destinos
em asas metálicas
asas que levam sonhos

quando é dura a decisão
de cair fora
se atirar dentro

nesta eu já embarquei
faz um tempo
sem perceber já estava dentro

para que o nexo?

27.1.10

sem título - 088

é fato
a memória dos odores de outubro,
daquele outubro
de manhã apreensivas
noites não dormidas pela espera

contorno esguio
retilíneo
de elegante sorriso

contínua situação
mudez para não delatar a insanidade
sem nomes nem mais anagramas
nehuma grama

impregnada
nas paredes
na rede
está a presença

sorriso multicolor
em meio a uma massa monocromática
que se materializou
3500 km depois

insanidade
leve descontrole
as adoráveis memórias
inominável certeza rastreada
de não ter havido outra
com mesmo timbre de voz
íntimo sorriso

a única que possui o beijo com a
fantástica força detonadora
igual ao brilho das estrelas

que logo se propaga ao infinito
que nenhuma outra apagará

sanidade e sobriedade
outra certeza

22.12.09

sem título - 086






retire a nostalgia



sonho

lembrança









a utopia
e isso sobra










































a
negra
caixa
vazia












sem título - 086

retire a nostalgia

sonho

lembrança

a utopia

e isso sobra






a negra caixa vazia

17.11.09

004

Por que a poesia é

bem acompanhada da chuva.
Se for em um barzinho,
decaído,
de noite,
sentindo saudade... tanto melhor

Tanto melhor ainda,
se o ritmo vier da distância,
se a distância separa o desconhecido,
então,
se acompanha com água de côco..

Líquida onda de ir e vir.

Sentimento com um pulsar, lento,
cardíaca
cadência.
Pois é dono de todas a horas, o tempo.

Ritmo da vida, de mundos distintos,
distantes de tal, fútil, realidade.

A poesia, que emana.
Livre!

Ela que ja nasceu com a liberdade em seu nome.
que anda solta em seus pensamentos, por mundos tão seus
que não ouso penetrá-los; por não pertencer a ninguém mais.

Estes são os mundos que formam o negro e profundo olhar distante.

Quantas horas ainda separam,
seu perdido olhar das ondas e brisa quente de um junho nordestino?

Ela que é a própria poesia.

4.11.09

sem título - 085



Já explodiu no peito, o grito incontido!

Ficou em dois pés tomou o mundo, criou deuses,
venerou, usurpou,
corrompeu, subornou.

Já se fez humano.

Agora que se fez "dono" do mundo, nada mais resta além
do pavor, daquilo que se tornou.

... aunque la mona se vista de seda, mona queda

23.10.09

sem título - 084

é fera ainda indomada

é onda do mar
em seus ciclos de indas e vindas

que sejam benvindas
suas vindas
que sejam mais breves
suas idas

é fera que espreita de longe,
raposa não cativa

ativa ou passiva?

laciva

o laço atrás de tudo
que envolve
que presenteia

8.10.09

sem título - 083


quando livre da material realidade,
abre-se então asas para vôos
mais altos, estáveis
ou instáveis por opção

leves, os pés, que passam
sobre o mar que se estende na areia

saborosas as notas musicais
que invadem os sentidos

quando livre da realidade humana

livre de um mundo apegado
ao terreno mundinho da ganância
da impressão
e que em nada se impressionam,
diante da beleza de um sorriso do casal de velhos

mundo midiático que acorrenta tais asas
numa impotência de alcançar a realidade imposta

perde, este mundo, o prazer dos passos
sobre a areia molhada

a solidão de voar alto sozinho
sem poder estender a mão
e te puxar para o mesmo vôo planado,
acima deste mundinho infeliz
podendo ver de cima o sol que la no nosso horizonte,
ainda, não se pôs



7.10.09

sem título - 82

tradição
traição
contra adição
contradição



o esmo,
perdido pelos dias a dias deste mundo.
I mundo,
A ondas e ondas
da aproximação,
distância,
aproximação. [outro assunto]

Como uma bela fera sendo domada.
Que se chega aos poucos, receosa, ainda selvagem.
Ainda sem confiança, ainda a desconfiança.
Quando a bela fera se afasta, fica a sensação de perda.

Mas ela volta, como quem não quer nada.
Deixa marcas, em territórios pouco visitados, de que ela está vindo.

Seja a música,
e amores musicais, são amores delicados, já dizia a cantora.
O elo impalpável.
Ou quase palpável.
Seja apenas o devaneio comum.

Meras palavras...
Mera poesia diária, de quanto tempo mesmo?

1.10.09

mais que palavras - 024


Não mudou muito de lá para cá.